![]() Assim como o inconsciente é freudiano se diz que a psicose é lacaniana, muito mais pela estreita relação do ensino de Lacan com a psicose do que uma exclusão dessa temática na teoria freudiana. Jacques Lacan construiu uma caracterização estrutural da paranóia que foi mais além de sua definição descritiva, trouxe precisão de suas variedades clínicas e permitiu estabelecer um diagnóstico com maior fundamento. Ele se ocupou também da investigação dos quadros clássicos do saber psiquiátrico como esquizofrenia, mania e melancolia situando-Os partir de parâmetros próprios da psicanálise. O avanço lacaniano no tema das psicoses é indissociável de dois eixos de referentes teórico-clínicos: por um lado as três categorias, Real, Simbólico e Imaginário; por outro o significante e sua lógica. Lacan critica a dedução etiológica patogênica estabelecida pela psiquiatria e liga o núcleo da psicose a uma relação com o significante, sob seu aspecto formal, de significante puro. Como conseqüência dessa particular relação do sujeito psicótico ao significante, se explica porque o fato de tomar "pré-psicóticos" em análise produz psicóticos, o que alude ao desencadeamento de uma psicose nas primeiras sessões de análise. Isto ocorre porque no coração dos motivos da entrada na psicose está o tomar a palavra e é nesse momento que uma psicose pode declarar-se. É nesse ponto que se coloca a diferença entre a atividade de Freud e de Lacan em relação a psicose: enquanto o primeiro se limita a leitura e analise do texto autobiográfico de um psicótico, Lacan escuta pacientes psicóticos. Mas Lacan escuta a partir do handicap freudiano que situa o jogo significante de Schreber com Deus e a homossexualidade latente implicada na posição feminina. Nesse seminário, Lacan retoma questões e impasses deixados por Freud e avança. Articula o significante da paternidade ao “empuxo à mulher”, ressitua o enigma da feminilidade e o diferencia da questão da histérica, estabelece as operações lingüísticas que permitem situar o sujeito como efeito do significante e dividido entre o enunciado e enunciação. Propomos o estudo das psicoses como parte da formação do analista não tanto pela indicação de Lacan de não recuar diante da psicose mas principalmente porque a relação do real com o delírio e do psicótico frente ao gozo questiona a ética e confronta com o desejo de analista. Respondentes: José Roberto Olmos, Luiza Pinheiro, Maria Teresa Lamberti, Raquel Degensjaszn, Sandra Dias, Sandra Tiferes Período: março 2010 a fevereiro 2011 – Sábado quinzenal 10:00 – 13:00 hsDatas: 13/03/2010 - 27/03 - 10/04 - 24/04 - 08/05 - 22/05 - 12/06 – 26/06 - 03/07 - 10/07- 07/08 - 21/08 - 11/09 - 25/09 02/10 16/10 - 06/11- 27/11- 04/12- 11/12- 18/12/2010 – 05/02/2011 – 12/02/2011 - 19/02/2011 – 26-02/2011 Público alvo: estudantes e profissionais interessados na teoria lacaniana Investimento: 8 x R$ 200,00 Inscrições: por email ou fax: 3062-5062 |