LEITURA E COMENTÁRIO: “A Carta Roubada” Iaci Torres de Siqueira de Maia e Pádua é membro fundador da Escola Práxis Lacaniana do Rio de Janeiro e co-autora dos livros: Sintoma e Direção da Cura, Resistência e Função desejo do Analista e Do que se trata em uma análise? apresentará uma leitura e comentários do texto de Jacques Lacan publicado nos Escritos “A carta roubada”. No Seminário sobre ‘A Carta Roubada’, Lacan toma a obra de Edgar Allan Poe “The Purloined Letter” para demonstrar o funcionamento significante. A carta (lettre) é o verdadeiro agente do conto porque organiza o posicionamento dos diversos personagens segundo uma ordem de três tempos: um olhar que nada vê, um olhar que vê que o primeiro nada vê e se engana por ver encoberto o que ele oculta, e aquele que vê que os olhares anteriores deixam a descoberto o que é para esconder. Lacan mostra o a maneira como as posições se revezam - temporalmente - em seu deslocamento repetitivo, deslocamento determinado pelo lugar que vem a ocupar em seu trio esse significante puro que é a carta /lettre roubada” ( Lacan, Escritos, 1998) . Poe não revela o conteúdo da carta, mas indica seu alto valor político, ponto que permite a Lacan apresentar a supremacia do significante – carta/lettre - sobre o significado - conteúdo da carta/lettre - e da ordem simbólica sobre o sujeito, cujo posicionamento subjetivo varia de acordo com o olhar, o tempo e a posse da carta/lettre na interpretação lacaniana do conto. Neste momento de seu ensino Lacan apresenta uma concepção de linguagem por meio do significante, não distinguindo significante de letra, pois o que ele que destacar é o caráter não meramente comunicacional da linguagem e a dimensão significante em sua precedência em relação ao significado, marcando a sobredeterminação significante, simbólica do inconsciente. “É que só se pode dizer que algo falta em seu lugar, à la lettre, daquilo que pode mudar de lugar, isto é, do simbólico” ( Lacan, Escritos, 1998) .
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