SEMINARIOS


A clinica da identificação em Freud e Lacan

                                                                              ... o discurso analítico é justamente aquele que pode

fundar um laço social limpo da necessidade de grupo

(J.Lacan, L” Etourdit, 1972)

 

A identificação é em psicanálise um conceito fundamental que se situa na fronteira entre a psicologia  individual e a coletiva além de estar ligada ao campo do amor e da patologia. Freud afirma que o que une os membros do grupo é além do amor, a identificação, apontando a intima relação entre esse processo e o laço social.

No capitulo VII de “Psicologia das massas e analise do ego”, Freud define a identificação como a manifestação mais precoce de um enlace afetivo com outra pessoa. Ele faz aí uma oposição às teorias psicológicas que situavam a mãe como objeto primeiro de identificação ao situar o pai como o primeiro objeto de identificação, ao lado de duas outras identificações e discriminar o objeto do amor do objeto sexual.

Lacan avança na teorização ao aclarar o significado da palavra “afetivo” fazendo um rodeio pelo que se entende por pulsão e amor em psicanálise. A pulsão sendo instinto desnaturalizado pela existência da linguagem pressupõe o sexual com sua dupla cara de vida e de morte. Já o amor é situado do lado do eu, do narcisismo o qual permite o primeiro enlace afetivo , sempre do lado ideal.

Na releitura da teoria freudiana,  Lacan põe em destaque a identificação parcial a um traço isolado do objeto amado e a define como o simbólica, separando-a  da identificação imaginaria, relativa ao semelhante e especular. Ele situa a origem de toda identificação a este traço sem significação mas que converte a falta-a-ser em um ser identificado e passa a comandar toda a dinâmica identificatória.  Essa identificação ao traço unário designa o lugar original do sujeito, ponto que se supõe a origem do inconsciente e que consiste numa operação de negativização, marca de uma falta, lugar onde vira se inscrever o Ideal Eu, dando-lhe consistência.

O ideal de Eu é concebido como significante isolado do Outro e que por isso funciona como insígnia que vem a ocupar o lugar da marca chamada traço unário, de forma a não poder haver sujeito antes dessa identificação primaria, desse lugar vazio Por isso , em psicanálise não se trata de identidade do sujeito pois só o significante é idêntico a si mesmo.

Consideraremos o tema da identificação na primeira parte da obra de Lacan (1953- 1964)  extraindo as conseqüências clinicas que permitem situar desde os fenômenos do duplo até ao fenômenos psicossomáticos, a questão da identificação nas psicoses e do nome próprio. O avanço conceitual operado no seminário XXII , não se faz sem os eixos apresentados nesse tempo.  A efetuar a separação da representação da identificação, ele assinalou um  lugar original do sujeito, lugar vazio, situado por uma marca,  o qual não cessou de explicitar e articular. 

Abordaremos os tópicos abaixo:

I. A identificação na teoria freudiana

1. As instancias ideais e o narcisismo: Eu ideal e Ideal de Eu.

2. Os três tipos de identificação na formação do grupo e do sujeito

II. A releitura lacaniana da teoria da freudiana  

1. Sobre a  identificação imaginaria e especular

2. Eu Ideal e Ideal de Eu: aspiração e modelo

III.A fundação do sujeito no campo do Outro pela via de três tipos diferentes de identificações

1. A identificação ao pai e o primeiro laço no campo do Outro: entrada traumática no campo da linguagem

2. A identificação ao traço unário e a fundação da repetição: o sujeito no simbólico e o sintoma

3. A identificação histérica e o desejo do Outro: sobre a falta no Outro

IV. Identificação e Cogito: significante, negação e traço unário

1. Rastro, Traço, Significante

2.Topologia e identificação: incorporação de um vazio e expulsão de um gozo

V. A clinica da Identificação : letra, traço , nome próprio e objeto

1. Do nome do totem ao traço: a escrita na criança

2. O traço unário em Elizabeth e Dora

3. O traço unário no Homem dos Ratos

4. Letra e Nome Próprio no Homem dos Lobos e Leonardo da Vinci

5. a escrita do nome e o objeto na psicose

6. letra e mimesis no fenômeno psicossomático

 

Respondentes: Sandra Dias

Período: março 2010 a dezembro 20101 – Sábado Mensal 10:00 – 13:00 hs
Datas: 20/03  -  17/04 -  15/05  – 19/06 –  14/08 - 18/09 - 23/10 – 30/10
Público alvo: estudantes e profissionais interessados na teoria lacaniana
Investimento: 3x R$ 180,00
Inscrições: pelo site ou F: (11) 3062-5062 (2as e 4as das 19:30 às 21:30 hs)