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Lacan se propõe, no início dos anos 50, realizar um “retorno a Freud” , que o levou a despir o pai da psicanálise de algumas impregnações darwinistas originais. Ele fez esse “retorno” suportado por uma racionalidade estruturalista fundada sobre a base dos avanços da lingüística e da antropologia estrutural. Sem abandonar de todo referências anteriores ao estruturalismo, como Hegel Heidegger, utiliza referências de Lévi-Strauss, destacando-se a idéia da autonomia da ordem simbólica que regula as estruturas sociais; de Saussure, “filtrado” por Roman Jakobson, as distinções entre linguagem e fala, significante e significado. A o propor o famoso aforismo "o inconsciente é estruturado como uma linguagem" , Lacan afirmou que a experiência psicanalítica descobre no inconsciente nada mais nada menos que toda a estrutura da linguagem. Valendo-se das conclusões de Lévi-Strauss sobre as relações estruturais entre linguagem e leis sociais, ele estabeleceu os fundamentos do estruturalismo psicanalítico que possibilitaram o avanço da teoria freudiana do inconsciente. No seminário V, As formações do inconsciente (1957-1958) e nos textos correspondentes a ele, Lacan se esforça em estruturar as conexões da linguagem com o real; privilegia a dialética da demanda/necessidade/desejo, enfatiza o Complexo de Édipo e o de Castração. Ele disserta sobre os tempos do Édipo, por meio da dialética do ser do ter, diferencia o lugar do pai real da sua função, o Nome-do-Pai, na resolução do Édipo e no complexo de castração. Lacan desenvolve o grafo do desejo, afirmando que o sentido do sintoma é decorrente da demanda dirigida ao Outro e que é necessário que o efeito de significação produzido se articule com a fantasia para obter efeito de verdade. Neste grafo, o objeto a é causa de desejo, sua categoria e imaginária, o que será retomado na virada do seu ensino no seminário XI, em que o objeto a é postulado como real. Ao mesmo tempo nesse seminário 5 já se encontra a noção de topologia – embora desenvolvida mais apuradamente somente em Seminários posteriores quando designará o inconsciente como sendo o discurso do Outro,– ao afirmar, por exemplo, que o Outro é um “espaço tipográfico e topográfico, um espaço topológico que constitui a estrutura fundamental de um sistema significante como tal, o fundamento do significante, ou melhor, o fundamento do fundamento do significante”. O seminário será apresentado: Sábado Coordenação
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