Fundamentos teóricos da clínica psicanalítica
O curso se destina àqueles que pretendem dirigir sua formação psicanalítica para a prática clínica (dos quais se requisita a entrada em análise, elemento primordial do tripé que constitui a formação do psicanalista) e conhecer teoricamente os fundamentos do pensamento de Freud e Lacan. Visa através da leitura dos textos escritos dos autores, estabelecer a articulação teórico-clínica que institui no campo da saúde mental, o diagnóstico realizado sob transferência, diferenciando-a de outros saberes que operam nesse campo.

O arco histérico de Louise Bourgeois
O curso está distribuído em seis módulos semestrais, duração de tres anos, e se destina à estudantes universitários (a partir do quarto ano) e profissionais interessados na formação analítica e apresenta as seguintes temáticas:
I O inconsciente , o desejo e as formações do inconsciente
II Do mito à estrutura: o Édipo em Freud e Lacan
III Dora: a histeria em Charcot, Freud e Lacan e na atualidade
IV O Homem dos Ratos: neurose obsessiva em Freud e Lacan e o TOC
V Schreber: a paranóia como paradigma da psicose
VI Mania , melancolia e o transtorno bipolar
MÓDULO 2º SEMESTRE 2010 A HISTERIA
Em 1893 Freud postula que a causa da histeria não é a hereditariedade, a histeria decorre de um excesso de excitação . O trauma está ligado a uma experiência sexual precoce vivida no desprazer, de modo passivo e que surpreende o sujeito, ocorrida devido a intervenção sedutora de um adulto. A histeria é uma reação à posteriori à sexualidade enquanto perversão recusada ( carta 52).
A histeria é uma doença de representação. É um processo psíquico de defesa contra o vestígio do trauma sexual precoce. Esse processo psíquico de defesa ou recalque forma uma neurose. “A defesa é o ponto nuclear no mecanismo psíquico das neuroses.” O mecanismo que preside a formação do sintoma histérico é qualificado como recalcamento de uma representação incompatível com o eu.
“Na Histeria a idéia incompatível é tornada inócua pelas transformações da soma de excitação em alguma coisa somática. Para isso eu gostaria de propor o nome de conversão”( 1894, pag. 61) isto é: conversão histérica da excitação psíquica em inervação somática.
A conversão pode ser total ou parcial e opera ao longo da inervação motora ou sensorial relacionada à experiência traumática. O ego livra-se da contradição ao qual é confrontado (conflito) e sobrecarrega-se com um símbolo mnêmico que se aloja na consciência como parasita ( o traço de memória da idéia recalcada) e forma um segundo grupo psíquico- o grupo expelido.O grupo expelido aumenta a cada nova impressão que forneça afeto que rompe a barreira e estabelece o vínculo associativo entre os dois grupos psíquicos , até que nova conversão se efetue.
O sintoma na primeira tópica não é o sinal de uma doença mas a expressão de um conflito inconsciente. O sintoma histérico não é uma simulação, é uma pantomima do desejo inconsciente, expressão do recalcado. O sintoma é uma formação de compromisso, expressa o desejo e a defesa - é o retorno de uma satisfação recalcada e também a defesa contra ela.( 1916 “Os caminhos da formação do sintoma” )
As condições da formação do sintoma histérico:
- um esforço defensivo contra uma idéia aflitiva
- essa idéia tem conexão lógica ou associativa com uma lembrança inconsciente
( através ou não de poucos elos intermediários ics.)
- uma cena infantil e outra posterior
- essa lembrança tem conteúdo sexual
- esse conteúdo deve ser uma experiência que ocorreu num certo período infantil da vida
A etiologia das cenas infantis não repousa na regularidade do seu aparecimento mas na evidência de haver laços lógicos e associativos entre as cenas e os sintomas (Freud, 1896,237)
Lacan destaca em Freud duas caracterizações sobre a Histeria:
- primeira caracterização a partir do sintoma conversivo
- segunda caracterização a partir do desejo insatisfeito
A primeira caracterização inicia-se com a histeria de defesa em 1893 e postula como fator etiológico o trauma psíquico. A segunda caracterização a histeria como desejo insatisfeito se dá em 1900 na Traumdeutung e foi postulada após o abandono da teoria do trauma e situa como fato etiológico a fantasia inconsciente.
A partir dessas duas caracterizações, Lacan destaca na teoria de Freud, o nojo como resposta ao gozo e a identificação histérica para poder situar um modo de gozar da insatisfação e a bissexuação histérica como modo de captar a encarnação de uma misteriosa feminilidade o sustentar a pergunta “O que quer uma mulher”
Partindo do dado fenomênico Lacan chega à estrutura.
CRONOGRAMA
1a aula (11/08/2010):
A histeria: da Antiguidade ao século XXI
2ª aula (25/08/2010):
A histeria, o sexual e o trauma
3ª aula (08/09/2010):
A histeria e a fantasia
4ª aula (22/09/2010):
A histeria e o sintoma conversivo
5ª aula (06/10/2010):
A histeria e o desejo insatisfeito
6ª aula (20/10/2010):
Histeria e o encontro com o sexo: a repulsa
7 ª aula (03/11/2010):
A Identificação histérica e a questão do feminino
8ª aula (17/11/2010):
A histeria masculina:: desejo e sintoma
9 ª aula ( 01/12/2010):
A histeria masculina e a paternidade
Respondentes:
Camila Vergara Lopes Silva, Elisabeth Egydio de Carvalho, Eliana M. Pierini, Maria Odete Galbiati, Sandra Dias, Sandra Tiferes
MÓDULO TEÓRICO
Período: de agosto a dezembro 2010 – Segunda feira das 20:00 às 22:30 hs
Público alvo: estudantes e profissionais interessados na teoria psicanalítica
Investimento: : 4 x R$ 220,00
MÓDULO CLÍNICO
Período: de agosto a novembro 2010 – Quarta feira (quinzenal) das 20:00 às 22:30 hs
Público alvo: atividade supervisionada restrita a formação psicanalítica
Seleção:: marcar entrevista pelo email
Investimento: : 4 x R$ 220,00
INSCRIÇÕES
pelo site
ou F: (11) 3062-5062 (segunda e quarta das 19:30 às 21:30 hs)
|