O Caso Clínico em Psicanalise |
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“A clínica psicanalítica deve consistir não somente em interrogar a análise, mas em interrogar os analistas, a fim de que eles dêem conta do que a prática deles tem de acaso, o que justifica que Freud tenha existido ( Lacan Abertura da Sessão Clinica) |
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Apostar a interrogar a clínica é uma das maneiras de manter um dos pilares sobre os quais se fundou a psicanálise. A primeira questão que surge é o que pode ser o caso clinico em psicanálise ? Na história da psicanálise, o caso clínico vem sendo concebido desde um historial clínico até o fragmento de caso, não resultando num standard. A psicanálise é uma clínica que não existe sem a formalização teórica. Ela consiste numa invenção que se pratica entre a direção de uma análise e a teoria do inconsciente, uma articulação íntima entre o real da experiência e a teoria relativa a esse real portanto o caso clínico é uma construção. Na clinica freudiana, o caso tem como modelo o romance. Freud dava uma forma narrativa à estrutura e utilizava as formações do inconsciente e suas associações para dar conta da experiência da análise original. Seu relato combinava o modo histórico e temático abordando tanto o tratamento como a historia da doença, sempre enfatizando a impossibilidade de reprodução total e da convicção que nela brotava. Sua intenção era apresentar novos fatos a pesquisadores já convencidos por suas próprias experiências clínicas. Abordaremos o texto sobre o Homem dos Lobos que permite evidenciar o estilo freudiano, os impasses, dificuldades e avanços em relação a clinica e a teoria. A vida do Homem dos Lobos, foi uma vida psicanaliticamente pública e publicada até seus últimos dias. Karin Obholze em seu livro “Conversas com o Homem dos Lobos.Uma psicanálise e suas conseqüências” (RJ:Zahar, 1993) se surpreende por ele se nomear “Eu sou o Homem dos Lobos”, apontando para questões sobre a estratégia, política e ética na psicanálise. Serguei Konstantinovitch Pankejeff sofria de uma grave neurose, Freud o tratou e o considerou curado a partir da interpretação dos sonhos do paciente relacionados a um trauma sexual de sua infância, tomando-o como prova da eficácia de sua teoria Ele liga a cena primaria ao sonho de angustia, aos sintomas e a biografia do analisante, elucida o estatuto da cena primária e a relaciona-a a fantasia originária. Na verdade ele nunca se curou, mas foi tratado por outros psicanalistas até a sua morte e seu estado piorou consideravelmente e até o fim de sua vida ganhou um salário mensal da Fundação Sigmund Freud. Lacan inicia os seus seminários analisando os casos clínicos de Freud e toma como ponto de partida o Homem dos Lobos. Ele comenta que a observação de Freud está centrada sobre uma busca apaixonada, detalhada em relação à existência ou não de acontecimentos traumáticos na infância. Freud não consegue, através das reminiscências do paciente, chegar a essa cena e ele constrói. Uma construção ditada pelo desejo de Freud. E sobre esse ponto Lacan aponta para uma distinção entre a realidade do acontecimento e a historicidade do acontecimento, isto é, algo leve e flexível, porém decisivo, que deixou uma impressão no sujeito, que o domina e torna-se necessário para explicar a continuidade do comportamento ( Lacan, Seminário inédito “O Homem dos Lobos”, 1952) Freud relatou cinco casos clínicos, evidenciando suas particularidades. Lacan elevou-os à categoria de paradigmas psicanalíticos. No caso Homem dos Lobos o tema decisivo é o fenômeno alucinatório do dedo cortado o qual Freud postula que ele “suprimiu” [verwarf] a castração sem construir nenhum juízo sobre ela, exatamente como se ela jamais houvesse existido. . Retomada por Lacan nos seus seminários sob o tema do retorno de um real não simbolizado, o conduzirá a articulação da psicose com a verwerfung. Lacan analisa o caso em termos de articulação significante, deslocando-se nos atos e na vida de um sujeito, apresenta novas categorias para ler um sonho de repetição e nos ensina a ler a posição do sujeito, todo ele “arborizado. Anos depois, no seminário sobre A Lógica do fantasma ele indica que lo essencial é saber como o sujeito, O Homem dos Lobos, pode verificar a cena primordial revelada a partir do sonho de repetição sob seu ser e por seu sintoma, o que quer dizer como pode articulá-lo em termos de significante. Isto aponta que em psicanálise só nos interessa a verdade de um sujeito e não a realidade de una historia. E por último último é importante assinalar o valor da janela marcando a cena e o predominância do olhar atemorizante dos lobos, elementos que Lacan situa como centrais em toda articulação fantasmática. Analisaremos o texto de Freud “História de uma neurose infantil”, e os seminários de Lacan no ponto onde apresentam a releitura do caso clinico “ Homem dos Lobos. PRIMEIRA SEGUNDA FEIRA DO MÊS |
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