Cogito em Descartes e Lacan

O sujeito sobre quem operamos em psicanálise só pode ser o sujeito da ciência
(J. Lacan, Ciência e Verdade, Escritos, RJ:JZE,1998, 873)

Cogito, ergo sum é uma expressão “infinitamente mais fluente, mais deslizante,
mais vacilante que sob essa espécie lapidar
( J.Lacan, Sem IX Identificação, lição 15/11/61)

Descartes cria o sujeito moderno, sujeito da ciência; o sujeito freudiano, na medida em que a psicanálise é moderna, não poderia ser outro que o sujeito cartesiano. O Discurso propõe um Método para conduzir corretamente a razão e apreender a verdade em ciências. O resultado da operação de esvaziamento, da rejeição de todo o saber permite separar os pensamentos do pensar. Para pensar tem que existir e Eu sou é uma certeza obtida pelo método da dúvida metódica.

Eu penso que sou um ser pensante não é a conclusão de um raciocínio mas uma constatação, uma evidencia. Entre uma infinidade de seres que existem , existe, pelo menos um, que pensa. Esta diferença no universo cartesiano implica em diferença metafísica enquanto que na psicanálise essa diferença diz respeito à posição que cada o significante se encontra e o diferencia do outro.

No Seminário XI “Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise”, Lacan aproximou o pensamento de Freud com o de Descartes, tratando de diferenciá-los. No método cartesiano “Penso logo sou” implica que subsisto como substancia pensante enquanto Lacan postula que “ A hiancia do inconsciente, poderíamos dizê-la é pré-ontológica” (RJ:JZE, 1996, 33), e insiste que a primeira emergência do inconsciente consiste em não prestar-se a ontologia.

O que faz com que o sujeito do inconsciente se distinga do sujeito cartesiano é que enquanto este tem como realidade o ser pensante, o que o leva a apropriar-se de sua substância, o sujeito do inconsciente só é considerado na condição de não ser apropriável. O sujeito não é uma substância, mas sim o que marca toda uma cadeia significante que insiste ao longo da derivação metonímica do desejo. Um desejo é sempre desejo de desejo, ou seja, desejo cujo objeto é outro desejo. Desidero é o cogito freudiano.

Hoje o marketing postula um Deus como garantia da verdade, sustentado pelo discurso da Ciência, motivo pelo qual a discussão do Cogito é fundamental como critica da cultura contemporânea. Atividade realizada na forma de debate com os presentes em várias etapas. A apresentação das Meditações de Descartes será apresentada por Elisabeth Egydio Carvalho e comentada por José Roberto Olmos.

 

ENTRADA FRANCA

SABADO – 14:30-17:30HS

14/02/2009           30/05/2009           01/08/2009

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