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Na direção da cura, reduzir o trabalho analítico à escuta do sintoma seria reduzir a análise a um mero processo adaptativo.A ética da psicanálise se coloca no campo do desejo, não da demanda, o que implica a necessidade de considerar a fantasia na direção do tratamento psicanalítico. Na clínica freudiana a construção, em análise, da fantasia é o limite da cura enquanto que na clínica lacaniana a direção da cura está demarcada pela sua travessia. Esta consiste em que da "selva da fantasia" se dá um passo que atinge a chamada "fantasia fundamental. É ela que assegura a representação do sujeito em sua relação ao desejo do Outro e fixa a interdição da relação sexual, situando o sujeito na partilha dos sexos. Lacan avança para além do conceito freudiano no qual a fantasia é situada a partir de um cenário imaginário e por sua gramática, propondo seu estatuto a partir de sua lógica o que permite abordar a fantasia em sua três dimensões: real, simbólica e imaginária. A partir daí enfatizamos alguns pontos nodais: Como articular o caráter de real, algo impossível, próprio à fantasia, com o simbólico? Como entender que a fantasia é real e tem um caráter de frase? É que há um real do simbólico, que se expressa na fórmula lacaniana: "a fantasia é um axioma". Que sentido dar a esta frase? Como explicar então que a fantasia não tem lugar na estrutura neurótica e ao mesmo tempo está ligada a ela? Pela
via compreensão da fantasia como axioma. E o que é um axioma? Para Lacan, a
fantasia fundamental está ligada a uma significação absoluta, uma separação
descolada de tudo. O problema da travessia do fantasma – é como transformar a
relação do sujeito com essa significação axiomática absoluta.
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