DA FANTASIA À LÓGICA DA FANTASIA : sujeito e objeto na clínica

Na direção da cura, reduzir o trabalho analítico à escuta do sintoma seria reduzir a análise a um mero processo adaptativo.A ética da psicanálise sendo a do desejo, não a da demanda, será a fantasia que conduzirá a esta dimensão.

A teoria da fantasia sofreu ao longo da obra de Freud constantes reformulações. Em carta a Fliess, 1897, Freud diz “não acredito mais em minha neurótica”e abandona a tese da sedução por um adulto - a teoria do trauma-,como evento ligado à etiologia e desencadeamento da neurose. No texto de 1905, “Meus pontos de vista sobre o papel desempenhado pela sexualidade na etiologia das neuroses ele destaca o que chamou de um dos seus mais importantes erros primitivos, considerar como fato da realidade o que era produção fantasística.Após esse novo direcionamento teórico, suas produções nos anos de 1907/ 1908 giraram ao redor de questões referentes à relação entre fantasia e realidade psíquica.

Freud estabelece uma relação causal entre as fantasias e os sintomas e coloca em série as fantasias encontradas nos ataques histéricos e aquelas relacionadas aos delírios dos paranóicos.Mantém a fantasia como realização de desejo e acrescenta que as fantasias podem ser tanto conscientes como inconscientes, que é uma construção, não é recordada pois não aparece nas lembranças do sujeito. A fantasia tanto causa vergonha pois está em contradição com os valores morais por auferirem seu conteúdo do discurso da perversão como também não está em harmonia com o resto da neurose.

Na clínica freudiana a construção, em análise, da fantasia é o limite da cura enquanto que na clínica lacaniana a direção da cura está demarcada pela sua travessia, que consiste em, através da "selva da fantasia", atingir a chamada "fantasia fundamental. É ela que assegura a representação do sujeito em sua relação ao desejo do Outro e fixa a interdição da relação sexual, situando o sujeito na partilha dos sexos. Lacan irá propõe o conceito de fantasia não como um cenário imaginário, ou unicamente por sua gramática, mas a partir de sua lógica, abordando assim a fantasia em suas três dimensões: real, simbólica e imaginária.

A partir daí enfatizamos alguns pontos nodais: Como articular o caráter de real, algo impossível, próprio à fantasia, com o simbólico? Como entender que a fantasia é real e tem um caráter de frase? É que há um real do simbólico, que se expressa na fórmula lacaniana: "a fantasia é um axioma". Que sentido dar a esta frase? Como explicar então que a fantasia não tem lugar na estrutura neurótica e ao mesmo tempo está ligada a ela? Pela via compreensão da fantasia como axioma. E o que é um axioma?

Para Lacan, a fantasia fundamental está ligada a uma significação absoluta, uma separação descolada de tudo. O problema da travessia do fantasma – é como transformar a relação do sujeito com essa significação axiomática absoluta.

Para tratar essa temática abordaremos os seguintes pontos:

A Fantasia em Freud

I Freud e a gramática da fantasia
Da sedução á Fantasia em Freud: a fantasia com véu do traumático
Fantasia, imaginação e recordação: sobre a realidade psíquica
O desejo e o material da fantasia: o visto e ouvido
A fantasia como a Outra cena do sintoma
Do fantasma à frase: a construção do fantasia fundamental
O paradigma da fantasia “Bate-se numa criança”: a gramática da ação fantasmática

II Lacan e a lógica da fantasia

A fantasia e o enigma do desejo do Outro
A fantasia em suas três dimensões R/S/I
Da ficção à fixão: a fantasia como axioma
Alienação separação e a lógica dos conjuntos
A negação e os juízos: sobre o sentido e a significação em lógica
A fantasia na neurose, na e na perversão.
Fantasia e final de análise: construção e atravessamento

Sábado – 10:00 - 13:00 hs
Datas: 16/08/08; 20/09/08; 11/10/08; 08/11/08; 06/12/08
Investimento: 4 X R$ 100,00
Coordenação: Sandra Dias (autora do livro: Paixões do Ser: pulsão e objeto em psicanálise. Ed. Companhia de Freud)